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sexta-feira, 4 de junho de 2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

have sex with your socialism.

if a man itself is imperfect, why would a whole society be different?

sábado, 16 de janeiro de 2010

é fashionable dizer que não se tem preconceitos.

não me digam que não têm preconceitos. toda a gente tem pré conceitos. para não ser preconceituoso, deve tentar-se é não usá-los como rótulos para as pessoas com as quais se têm de lidar.

sobre a vida.

saber que há o amanhã é dos poucos requisitos para conseguir viver o hoje em harmonia.

sábado, 7 de novembro de 2009

Abstracto és tu!

Irrita-me, de certo modo, o facto de se ter convencionado chamar "abstracta" à arte que não representa algo da realidade "exterior". As obras designadas por "abstractas" são tão concretas como as outras. No entanto, são representações, mesmo que subjectivas, da realidade "interior", que não é menos concreta que a realidade "exterior".

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Desespero, Calor e Consolo

Nestes dias em que tudo o que piso está amargurado, vou rebolando nas caras que se limitam a fraudes esburacadas pelos outros ou por elas.

Penso em cenários melhores, em algo que não existiu e causa saudade.

Não me envolto em lamentos e sei lá.

Coloco-me em décadas de ilusão esculpindo alguém, esculpindo-te a ti.

Deixa-me ir para o monumento mais alto da tua cabeça e gritar coisas imperfeitas.

Deixa-me dar-te a mão e avassalar todas as ruas desta cidade na decadência.

Vamos cortar mil confissões de amor e vamos forrar o Inferno.

Vamos pôr o nosso futuro em garrafas e vamos bebê-lo debaixo das árvores.

Segura-me que ser só um cansa.

Ou dá-me um tecto e eu faço-te sorrir, que nesta loucura tudo vale para que a crueldade deixe de ser vil.


25 de Junho de 2008

as (des)igualdades perturbadoras

tenho uma balança. tenho o prazer e o pecado. o prazer pesa mais, mesmo que o pecado bata no fundo.


11 de Setembro de 2008

terça-feira, 20 de outubro de 2009

com a amália na alma.

tanto que tenho para contar, este meu fado que sabes tão bem escutar.
estes dias em que o mundo se enche de cor e resta sempre uma linha de dor.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Questões de Dependência

Não há nenhum dependente da derrota.

(senão o próprio suceso).

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ausência.















É essa a palavra que resume a actividade dos últimos meses neste nosso espaço.

(talvez o verão e o seu bronze ajudem a postar mais uma ou outra letra em vão.)

Obrigado.


PS - Se quiserem ver mais registos fotográficos meus, como aquele acima: www.corvovancor.deviantart.com .

sábado, 14 de março de 2009

“Por querer mais do que a vida sou a sombra do que sou”

Eu tenho cinquenta, cem, mil casas e habito tantas cidades quanto a minha imaginação pode abarcar.

Porque a minha imaginação não dorme, a minha mágoa não cessa, a minha procura não conhece limites.

A minha vida é apenas procurar. Fernando Pessoa diz que fez dos sonhos a sua única vida, eu fiz da procura a minha única vida, porque os meus sonhos são sempre a busca por algo que não existe e, muitas vezes, por algo que nunca existirá.

Vivo dentro da cabeça de milhões de indivíduos que vivem dentro da minha alma sem que eu os controle ou os conheça a todos. A minha mente é dominada por um grupo de carpideiras que gritam, ansiando por algo que não têm, e os seus uivos nunca cessam...

A procura é para mim um sentimento, outro que aprendi a aceitar e a controlar, como tive de fazer com tantos outros para poder sobreviver. É algo de inevitável e intermitente que se acende e apaga dentro de mim e que, de cada vez que renasce, leva com ela parte de mim, escombros do meu ser que se desvanecem nas chamas.

Porque há anos que desapareço aos pouquinhos, há anos que me desvaneço, que ardo, que me decomponho. Sou um cadáver vivo, que respira e sonha e almeja por muito mais.

Sou um cadáver, mas, por mais sombria que seja a minha existência, por mais inútil e insignificante que seja a procura, tenho em mim mais vida do que a maioria dos vivos que vagueiam pela terra em busca de coisa nenhuma.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Auto-Retrato

Nasci no francês dia da liberdade.
Embora já tenha ouvido o tumulto da verdade.
É duro.
(o ser em censura.)
Ter que lutar contra uma usura.
Mesmo assim, vivo dentro de pequenas bolhas.
Esperando o dia em que (finalmente.)
Escutarei o som das minúsculas folhas.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Para Os Portugueses

Quatro portugueses cavam a sua própria cova.
*
Cairo em plena hora de ponta.
No táxi com os estofos cobertos com nódoas , manchas e afins, um rádio quebrado em mil e cintos enferrujados, a família está ser levada ao restaurante, em que a especialidade são pratadas de carne (diversas), recomendado pelo primo de Óbidos.
O movimento da cidade escandaliza a família e esta reage.
O pai sentado, no lugar da frente:
- Que eu saiba, as estradas têm três e não quatro faixas...
- Bem, este arzinho fresco sabe bem, abre a janela, abre! - dirigindo-se para o taxista que nada percebe de português.
A mãe continua harmoniosa...
- Credo! Estas crianças na rua sempre a pedir um euro, que estupores...!
- Os pais devem dar-lhes cá uma educação...
Os dois irmãos, sentados, lá atrás divertem-se a menosprezar a velhice do táxi.
O taxista é mais um naquela selva rodoviária e continua calmo, atendendo o telefone, excelente oportunidade para as crianças, em conjunto, com os pais se rirem baixinho dos vocábulos árabes.
*
É cavada a sua cova, nestes vinte minutes, afogada em queixas e reclamações.
Neste mesmo espaço de tempo, um polícia encontra-se numa tentativa de coordenação do tráfego, um homem varre o lixo, o taxista tenta falar sobre as crianças daquela zona pobre e passa um Porsche negro brilhante, deslizando pela estrada, na faixa mesmo ao lado.
*
Caros portugues, é tempo de sair dessa cova e olhar para o Sol.

Portugal

Fomos minúsculos grandiosos.
*

Queremos ser agora grandiosos minúsculos.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Changes

If you want to have some changes, you can't enforce rules or deadlines.

The deadline is the line of death.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Old Photos Of You

I'm the cigarette that is burnt,
I'm the lesson that you never learnt.
*
I drink Martini and I keep deeply sad,
I'm the big rock star that is forever dead.
*
Anyway, who cares about who?
Nothing feels better than watching the old photos of you.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"Like Eating Glass"

Carlos conduzia rápida mas cuidadosamente quando o seu telemóvel tocou. Como sempre, hesitou entre atender ou não, mas, ao pegar no telemóvel e ver o nome Constança aparecer no visor, decidiu-se pela primeira opção.

- Estou?

- Onde estás?

- Estou quase a chegar, mais uns dez minutos e devo passar o cruzamento.

- Sabes, sou mais louca do que tu pensas…

- O quê?

- Sou até mais louca do que eu própria pensava. Quer dizer… eu acho que sempre soube mas tentava negar o quão doida sou…

- Constança, mas que raio se passa?

- Nunca te contei mas… Às vezes acontece-me começar a imaginar coisas, cenários e acontecimentos dentro da minha mente, e essas fantasias chegam a ser tão reais que surgem no meu cérebro vindas do nada e não paro de as imaginar durante dias ou mesmo meses…

- Ó, ó, ó, Constança! Sinceramente, achas que…

- Ultimamente tenho andado a imaginar que tu me vens visitar e tens um grande acidente no caminho…

- Deus nos livre, rapariga! É só por isso que estás assim? Estás preocupada porque achas que vou ter um acidente?

- Não te rias… Sei que estás a sorrir, estás a usar a tua voz “politicamente correcta” e aposto a minha vida em como estás a fazer o teu sorriso “politicamente correcto”. Ouve-me até ao fim… Depois do acidente, ficas em estado crítico e levam-te para o Hospital, encontram a minha morada entre as tuas coisas, descobrem o meu número, telefonam-me e explicam-me o que aconteceu. Eu vou a correr para lá, obviamente, e encontro-te, moribundo, numa maca do Hospital. Sabes como odeio tudo o que tem a ver com hospícios… Mesmo assim, salto para cima da maca, perdida em lágrimas, e tento abraçar-te. Tu dizes-me “Não era este tipo de visita que querias cá, pois não?” e ris-te. Eu peço-te para não falares, para tentares descansar e tu dizes “Há pessoas tão imbecis que só confessam o que sentem quando sabem que estão perto do fim”. Eu garanto-te que não estás perto do fim e tu pedes-me que não te minta porque sempre fui aquela que te dizia a dura verdade. Eu choro mais e abraço-te com mais força e tu ficas ainda mais ciente de que a morte se aproxima. Depois dizes “Eu sempre gostei de ti, mais do que tu podes pensar…” e morres, deixando-me ali, mais só e desesperada que nunca.

- Ouve… Eu percebo que isso te ande a perturbar, mas tens de perceber que todo o conteúdo desse sonho, ou fantasia, ou como quiseres chamar-lhe é patético. Para além disso, não passa de um produto da tua imaginação.

- Hum… Essa é a parte de ti que sempre desprezei acima de todas as partes menos boas que tento ignorar por seres tão meu amigo, o facto de não dares importância nenhuma à imaginação e não compreenderes porque é tão importante para mim.

- Constança… Por amor de Deus…

- Não, Carlos, deixa-me falar! Tenho de falar agora, tenho de arrancar as palavras que estão presas dentro de mim como se fossem pedaços de vidro que tivesse engolido de que cada vez que neguei a verdade. Realmente, há pessoas tão imbecis que só confessam o que sentem quando sabem que estão perto do fim.

- Constança…

- Sabes, eu sempre gostei de ti. Muito, muito mais do que tu podes pensar…

Ao ver o carro de Carlos aproximar-se do cruzamento, Constança avançou com o seu próprio carro, posicionando-o minuciosamente, de modo a que ele não pudesse evitar embater contra ela.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Vida em Metáfora

I

Olhava para o céu azulado da cor do sabão tradicional.
Deus não a ouvia por ser tão racional.
E lá estava ela: dotada de tal tristeza.
De um frasco recheado das tarefas de destreza.
Deitou.
Deitou o frasco ao chão.
Queria lá saber daquilo.
Queria lá saber daquilo (ela só pedia: de novo a paixão.)

II

Mergulhou no rio encoberto de cores esquisitas e desconfiadas.
Mas ninguém quis saber.
Só queriam que ela voltasse ao que tinha por fazer.
Então, ela voltou.
E estava moribunda.
O mundo inteiro queria beijar a defunta.

III

Ela não se importou com nada.
Queria jogar ás cartas com o que dela restava.
À sua volta: a companhia era gelada.
Não jogou nem sorriu sequer porque não lhe apeteceu.
Tentava, simplesmente, lembrar-se do dia frágil em que a mulher nasceu.